Nome completo e breve histórico.
Luiz César Pereira Caldas, nasci em 1963, em Feira de Santana (BA) ,num bairro chamado tomba. Tenho 43 anos, casado, 3 filhos e uma netinha de 5 anos. Comecei a cantar profissionalmente com 7 anos de idade, então quer dizer que eu tenho 36 anos de música. Toco vários instrumentos, e é mais prático até saber os instrumentos que não toco, que são os instrumentos de sopro. E um dos precusssores do axé music e gosto muito de música (risos).
Aproveitando a deixa, qual o instrumento que você gostaria de tocar que você não sabe ainda?
Um instrumento que acho muito interessante é o alaude, é um instrumento super antigo, muito antigo mesmo, bastante usado em músicas barrocas. É um instrumento que eu gostaria de tocar e por ser um instrumento de corda, teria muita facilidade.
Você aprendeu a tocar violão, que foi o primeiro instrumento que você teve contato, com seu irmão Durval Caldas. E os outros instrumentos?
Isso, vendo Durval tocar eu aprendi as primeiras notas. Depois fui desenvolvendo sozinho o violão e os outros instrumentos também. Com 9 anos de idade eu não morava mais com meus pais, eu morava na sede dos conjuntos, dormia junto com bateria, baixo... Meus companheiros eram os instrumentos, era a noite toda tocando e pegando as músicas. Quando eu tinha 13 anos já era diretor musical dos grupos onde eu tocava, eu que tirava as músicas pra todo mundo. Sempre tive essa curiosidade, tanto que eu me considero muito mais instrumentista e um dublê de cantor.
Apesar de tocar Axé, teve alguma estilo musical que influenciou no seu visual?
Não, eu sempre gostei de me vestir diferente, nunca gostei de me vestir igual a ninguém, eu acho que é farda. Terno pra mim é uma farda.
Mas você anda com umas camisas bem "roqueiras"...
É sim. Eu gosto muito do rock, principalmente o rock erudito: Emerson Lake & Palmer, Pink Floyd, uma coisa mais trabalhada. O rock hoje em dia tem muito barulho e pouca música, não todos, como o axé music também. Considero a Axé Music atual bem parecida com o rock de hoje.
E bandas mais novas, você escuta?
Por incrível que pareça, tem um tempo que eu só escuto o que eu produzo, não o que eu gravo. Mas se eu quero ouvir alguma coisa, eu sento no piano e toco. Toco baixo, bateria, qualquer instrumento, minha casa é um galpão, o que mais tenho são instrumentos. Se eu falar "tou escutando fulano de tal" é mentira. Tem um tempo que quando eu quero ouvir alguma coisa eu mesmo toco. É até bom que me exercita.
Pela convivência que você teve com a galera do Chiclete com Banana, você acha que Bell é realmente um grande marketeiro, que o Chiclete é a grande banda da Axé Music?
Veja bem, é o que agrada mais, mas nós sabemos que a grande população não compreende de música. Ela gosta, e música é questão de gosto. Por questão de gosto o Chiclete é o melhor, mas musicalmente não.
Por ter sido próximo a Bell e os ex-Chiclete Missinho e Cacique Jonnhy, você tem alguma opnião sobre as divergências que houve com os três no passado?
Infelizmente a convivência que eu tive com eles não chegou a esse ponto, de poder participar dos problemas que aconteceram. Mas são problemas que nos deixam muito triste, porque Bell é uma pessoa maravilhosa, como Jonnny e Missinho, que é um compositor de mão cheia. Eu não sou uma pessoa apropriada pra poder falar sobre esses problemas por não ter participado diretamente.
No seu disco de "15 anos de Axé" você colocou vários artistas cantando músicas que não faziam parte do repertório deles. Como Durval Lelys cantando uma música do Chiclete e Bell Marques cantando uma música do Asa.
É interessante isso, pra gente poder mostrar uma coisa diferente. A idéia do disco não foi minha, quem produziu o disco foi Ricardo Chaves, e ele escolheu junto com o pessoal da produção as músicas, e eu disse que queria fazer um disco em que eu fosse intérprete, que não precisasse fazer os arranjos, tanto que eu toquei só uma guitarra no disco. Emprestei a voz cantando junto com meus colegas, e foi interessante fazer essa coisa, Daniela cantar uma coisa que ela não canta, Durval, Bell, Netinho...
A homenagem dos 20 anos do Axé, na qual lhe envolveu como o "pai do Axé", lhe deu um gás pra botar a carreira adiante?
Esse gás, se é que ele exista, partiu da Penteventos, que é a empresa que eu trabalho. Diogo, Marcelinho, Kleber, Maron, Lucas, Cássio, esse pessoal é que apostou mesmo. Porque hoje em dia não adianta só você ter um grande trabalho e um bom show. Hoje em dia você tem que ter uma produção, onde esses produtores sejam bem relacionados com outros produtores no mundo da Axé Music, senão você fica a margem dele sempre, como eu fiquei durante muito tempo tocando em alguns lugares diferentes. Como eu sou instrumentista, fiquei muito tempo tocando música instrumental em teatro, que é uma coisa totalmente diferente. Agora mesmo cheguei de uma festa [Muitos Carnavais (Natal/RN)] que eu toquei milhares de pessoas. Então você sai de um público desses e toca num teatro para 500 pessoas sentadas, aí vem aquela pergunta: o que é mais prazeroso e o que é mais dificil? Todos os dois são bem prazerozos. Musicalmente eu diria que o teatro é mil vezes mais prazeroso, porque lá eu vou estar tocando obras minhas inéditas, composições minhas instrumentais, vou tocar Tchaikovsky, Mozart, Beethoven, Ernesto Nazareth, Lupicínio Rodrigues, Pixinguinha. Vou tocar uma música mais rica, vou poder usar mais a história musical. E no trio elétrico, eu vou estar alí sendo não so um músico mas também um médico que vou estar cuidando da alegria e da saúde da galera.
Tendo o título de "Pai do Axé", você se sente na obrigação de produzir sempre um trabalho que lhe faça merecê-lo?
Não, não tenho mais obrigação de nada, eu acho que quem tem obrigação de fazer alguma coisa são os mais novos. O que tenho é continuar fazendo minha música como sempre fiz. Não posso ficar pensando quanto meu disco vai vender. Eu gravo um disco pensando que qualquer dia eu vou botar esse disco e vou ouvir, eu mesmo. Eu garanto que muito gente que pensa em grana, os que pensam em dinheiro, são incapazes de ouvir o que eles produzem. Não tem prazer de ouvir o que eles gravam quando chegam em casa. Eu poderia ter gravado uma outra música parecida com "Pega ela aí, pega ela aí..." (Fricote), porque foi sucesso a primeira. Mas pelo contrario, no outro ano já vim com outra música totalmente diferente, que é Ajayô, que é um outro ritmo, muito mais lenta, que até Ivete canta comigo no DVD. Então eu sempre pensei em fazer uma coisa que eu goste. Tem que ter uma verdade, meu show é muito verdadeiro, eu também toco pra mim, porque se eu não gostar, quem é que vai gostar?
Eu li uma matéria que tinha na chamada: "Ivete ressusita Luiz Caldas". Como você encara o título?
Eu acho engraçado isso. Eu acho que é mais um cabeçalho, em termos de notícias. Mas Ivete é uma pessoa que me ajudou demais, me convidou pro show do Festival de verão pra fazer uma participação...
[Nesse momento passa pelo hotel Jorge Ben Jor, e Luiz Levanta para comprimentar o colega]
Como foi fazer esse show com Jorge Ben Jor? Vocês dois que tem um astral tão bom.
Legal, eu não me encontro com Jorge há uns 16 anos. Nos encontramos a última vez em Nova Yorque recebendo um prêmio de uma rádio que só toca música braisleira e agora a gente se encontra aqui tocando no mesmo palco. Pra mim é muito prazeroso, pra mim ele é uma figura, não é só um criador de músicas, ele criou um estilo de música. Uma coisa que eu também tenho o prazer de ter feito, eu criei um estilo diferente de música. E todas as músicas tem uma semelhança muito grande que é a alegria.
Fazia tempo que você não vinha a Natal/RN. Como foi a sensação?
É uma saudade debutante, 15 anos (risos). Pra mim foi muito legal. Eu já esperava que fosse assim, todas as vezes que eu vim aqui fui muito bem recebido, o povo potiguar gosta muito da música da Bahia, tem um carinho muito forte pela nossa forma de tocar, pelas nossas canções, então eu sentia que se eu tocasse uma música que batesse na recordação das pessoas, iria voltar uma saudade legal, uma coisa gostosa, e as pessoas iriam cantar e foi o que aconteceu realmente.
Quando a gente questiona sobre os preços exorbitantes do Carnaval de Salvador, todo mundo diz: "É devido a lei da oferta e da procura". Você concorda com isso?
Não vejo que seja lei da oferta e da procura, quem fala isso é porque está se dando bem. Não é nada disso não, só fizeram a festa ficar assim, é diferente.
Tem saída?
Tem, mas é muito dificil, porque quem está mordendo o osso, não vai querer dividir esse osso. Mas carnaval é carnaval. Quem faz o Carnaval é o povo não é ninguém. No dia que Luiz Caldas disser: "não vou pra rua", que o Chiclete disser: "não vou pra rua", não importa, o povo vai e faz a festa. O Carnaval pertence a eles e não a gente.
Algumas das suas músicas são assinadas por Durval Caldas, Zuleika Caldas, Carlinhos Caldas, Paulinho Caldas... é um trabalho em família?
A família toda trabalha com musica, agora na minha banda meu filho mais velho já toca comigo. Minha irmã toca comigo. E minha netinha já fica curtindo eu tocando piano e já começa a cantar. Nepotismo e comigo mesmo (risos)!
Você se divide bem entre o Luiz do Axé e o Luiz Clássico?
Totalmente, porque eu gosto de música. Pra mim não tem ruim ou música boa. Existe a musica que você gosta e a música que você não gosta. Como eu sou instrumentista, eu posso julgar a música por dois lados, se eu gosto dela ou se é uma música dificil ou fácil, uma música simples.
O Programa Rei Majestade (SBT) é um programa que tem um perfil de artistas de antigos sucessos e fora da mídia. Mas você tá na midia. Como você encara sua participação nele?
Eu não gosto de rótulo, por mim não adianta dizer: "Luiz é isso". Por mim pode falar, porque eu sou o que sei que eu sou.
Mas você faz o perfil inverso do programa. Você tem inúmeros sucessos e está na midia...
E eu fui um dos primeiros a fazer o programa, depois é que o programa foi prolongando, e não era esse formato, Silvio [Santos] foi mudando da metade do programa em diante.
Uma mensagem pra galera.
Alegria, porque de tristeza a gente não consegue nada. E o caminho é sempre alegria e estudar bastante. Cultura e alegria, as coisas que eu mais gosto.